quarta-feira, 6 de junho de 2012


A história do movimento ambientalista: da Revolução Industrial aos dias atuais.



            A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, em fins do século XVIII, e em outros países da Europa, nas duas primeiras décadas do século XIX. A conjuntura favorável a essa revolução foi a da escassez. Até meados do século XVIII, a energia que movia todo o sistema de produção provinha da madeira, gerando grandes áreas desmatadas. Foi, portanto, a prática de uma economia destruidora que gerou a necessidade de invenções e inovações. No entanto, para caracterizar um período como esse é preciso entender que as invenções e inovações estavam integradas à produção.

            Mas além das invenções mecânicas, também surgiram, em 1830, os primeiros resultados de pesquisas químicas relativas à produção de substâncias não-naturais, como foi o caso dos fertilizantes. A necessidade de compreensão dos mecanismos de funcionamento da natureza tinha o objetivo primordial de conhecê-la melhor para, então, melhor explorá-la e controlá-la. A mudança fundamental que se processou neste período, em relação à noção de natureza foi que a natureza deveria seguir o ritmo da produção, e não o contrário. No fim do século XIX, as críticas ao modo industrial de exploração deram origem ao que hoje conhecemos como Ecologia.

            Considera-se que o movimento ambientalista tenha surgido na Inglaterra, berço da Revolução Industrial. Pois as mudanças de atitude em relação às plantas e aos animais na sociedade inglesa foram muito influenciadas pelo pensamento científico e pelo comportamento da sociedade em relação à descaracterização das paisagens naturais pelo avanço da indústria. O ambientalismo foi ao mesmo tempo um movimento científico, social e político, recebendo várias influências, esse conjunto de idéias foi então levado para os Estados Unidos, onde ganhou força. Assim como na Inglaterra, à medida que os espaços naturais iam desaparecendo, aumentava o interesse pela história natural e com isto o movimento de proteção à natureza se dividiu em duas correntes principais: preservacionismo e conservacionismo.

            O preservacionismo procurava assegurar a existência de áreas e ecossistemas em seu estado natural, admitindo uso restrito para fins de educação e lazer. É nessa perspectiva que se inserem a criação dos parques naturais. Do ponto de vista dos preservacionistas, o ato de preservar assumia quase que uma atitude de sacralização da natureza.

            O conservacionismo parte do princípio de que os recursos naturais devem ser explorados de modo racional. A base desse princípio encontra-se na gestão e no manejo florestais, bastante desenvolvidos na Alemanha do século XIX. Os conservacionistas propunham a proteção de áreas florestais, embora permitindo uma exploração dessas áreas mediante um plano de manejo florestal. A idéia central dessa corrente era a de que as florestas não deveriam ser fechadas. Ao contrário, deveriam ser exploradas de modo racional e, assim, contribuir para o desenvolvimento econômico do país. Resumindo, para os conservacionistas o ambiente natural sem intervenção humana seria um mito.

            Percebemos que essas duas vertentes não questionam os modelos econômicos vigentes. Foi somente em meados do século XX que o ambientalismo começou a se preocupar com uma agenda de reivindicações pelo meio ambiente.

            O ambientalismo ganhou contornos mais diversificados e principalmente políticos na década de 1960. O marco dessa ruptura foi o livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson. Rapidamente ele se tornou uma referência para o movimento ecológico, porque ia além da divisão clássica entre preservacionistas e conservacionistas e mostrava como o padrão de crescimento econômico provocava uma seqüência de desastres ambientais.

            Foi nesse contexto que surgiu e expandiu-se um novo ambientalismo, apoiado em valores culturais, sociais, éticos e políticos, buscando a reformulação dos modelos de desenvolvimento vigentes.

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