A história do movimento
ambientalista: da Revolução Industrial aos dias atuais.
A
Revolução Industrial teve início na Inglaterra, em fins do século XVIII, e em
outros países da Europa, nas duas primeiras décadas do século XIX. A conjuntura
favorável a essa revolução foi a da escassez. Até meados do século XVIII, a
energia que movia todo o sistema de produção provinha da madeira, gerando
grandes áreas desmatadas. Foi, portanto, a prática de uma economia
destruidora que gerou a necessidade de invenções e inovações. No entanto,
para caracterizar um período como esse é preciso entender que as invenções e
inovações estavam integradas à produção.
Mas
além das invenções mecânicas, também surgiram, em 1830, os primeiros resultados
de pesquisas químicas relativas à produção de substâncias não-naturais, como
foi o caso dos fertilizantes. A necessidade de compreensão dos mecanismos de
funcionamento da natureza tinha o objetivo primordial de conhecê-la melhor
para, então, melhor explorá-la e controlá-la. A mudança fundamental que se
processou neste período, em relação à noção de natureza foi que a natureza
deveria seguir o ritmo da produção, e não o contrário. No fim do século XIX, as
críticas ao modo industrial de exploração deram origem ao que hoje conhecemos
como Ecologia.
Considera-se
que o movimento ambientalista tenha surgido na Inglaterra, berço da Revolução
Industrial. Pois as mudanças de atitude em relação às plantas e aos animais na
sociedade inglesa foram muito influenciadas pelo pensamento científico e pelo
comportamento da sociedade em relação à descaracterização das paisagens
naturais pelo avanço da indústria. O ambientalismo foi ao mesmo tempo um
movimento científico, social e político, recebendo várias influências, esse
conjunto de idéias foi então levado para os Estados Unidos, onde ganhou força. Assim como na Inglaterra, à medida
que os espaços naturais iam desaparecendo, aumentava o interesse pela história
natural e com isto
o
movimento de proteção à natureza se dividiu em duas correntes principais:
preservacionismo e conservacionismo.
O
preservacionismo procurava assegurar a existência de áreas e ecossistemas em
seu estado natural, admitindo uso restrito para fins de educação e lazer. É
nessa perspectiva que se inserem a criação dos parques naturais. Do ponto de
vista dos preservacionistas, o ato de preservar assumia quase que uma atitude
de sacralização da natureza.
O
conservacionismo parte do princípio de que os recursos naturais devem ser
explorados de modo racional. A base desse princípio encontra-se na gestão e no
manejo florestais, bastante desenvolvidos na Alemanha do século XIX. Os
conservacionistas propunham a proteção de áreas florestais, embora permitindo
uma exploração dessas áreas mediante um plano de manejo florestal. A idéia
central dessa corrente era a de que as florestas não deveriam ser fechadas.
Ao contrário, deveriam ser exploradas de modo racional e, assim, contribuir
para o desenvolvimento econômico do país. Resumindo, para os conservacionistas
o ambiente natural sem intervenção humana seria um mito.
Percebemos
que essas duas vertentes não questionam os modelos econômicos vigentes. Foi
somente em meados do século XX que o ambientalismo começou a se preocupar com
uma agenda de reivindicações pelo meio ambiente.
O
ambientalismo ganhou contornos mais diversificados e principalmente políticos
na década de 1960. O marco dessa ruptura foi o livro Primavera Silenciosa,
de Rachel Carson. Rapidamente ele se tornou uma referência para o movimento
ecológico, porque ia além da divisão clássica entre preservacionistas e
conservacionistas e mostrava como o padrão de crescimento econômico provocava
uma seqüência de desastres ambientais.
Foi
nesse contexto que surgiu e expandiu-se um novo ambientalismo, apoiado em
valores culturais, sociais, éticos e políticos, buscando a reformulação dos
modelos de desenvolvimento vigentes.